Workshop Elefantes no Algarve?

Algures entre o desembarque dos 37 elefantes de guerra de Aníbal (II bC), e a época em que Peter Sellers posava para People’s Maganzine (1960) montado num Elefante Mecânico, o Algarve começou a transformar-se numa espécie de zoo ou selva, numa colecção de construções e indivíduos, que com o tempo começaram a perder uso e motivo para usar. E enquanto a maioria dos historiadores e políticos não parecem duvidar da sua aptidão para reconhecer a ou especular sobre localização do desembarque destes primeiros elefantes, no famoso Portus Hannibilis (Pomponius Mela in De Situs Orbis, III,1 AD37 ), menos interesse parece existir em torno de tantos outros elefantes (brancos!?) que hoje persistem em povoar o Algarve.

Esta expressão – Elefante Branco – de uso cada vez mais corrente, aponta obras sem conveniência e que cujo custo (em especial o de manutenção) é desproporcional à sua utilidade ou valor. E apesar da nobreza sugerida no animal, é uma expressão que se encerra numa certa fatalidade e langor.

Para inverter este fado é preciso fazer mais que apontar, é preciso começar por saber responder às questões Onde? Quem? Quando? e partir desta base de conhecimento para a identificação de metodologias e processos de intervenção capazes de definir novos usos e campos de oportunidade.

Com esse propósito, o estudo comparativo “PT_HRAlgarve-Dalmacia – Projecto de Investigação e Desenvolvimento com o apoio do Consórcio NEOCIVIL/MSFO – em conjunto com Departamento de Arquitectura e Paisagem da Escola Universitária Vasco da Gama de Coimbra, com o Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes de Portimão (ISMAT) e com a Delegação do Algarve da Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos, convida alunos nacionais e internacionais de universidades de arquitectura, urbanismo e paisagem para o workshop “Elefantes no Algarve?Onde?Quem?Quando?”.

Com um programa de trabalhos contextualizado na direcção dos objectivos delineados pelo programa de investigação, este workshop propõe-se contribuir para o desenvolvimento de uma reflexão prática acerca do impacto contemporâneo destas disciplinas na reabilitação urbana de núcleos urbanos do litoral do Algarve. Pretende proporcionar, num regime de simulacro, uma análise exploratória de quatro casos de estudo, que na sua diversidade de programas e escalas, impulsionarão o reconhecimento de uma nova dinâmica de problemática/resposta para todos os quatro Portus Hannibilis da Baía de Lagos.

Após a introdução dos conteúdos a expor e dos diferentes locais de trabalho (Lagos, Alvor, Praia da Rocha e Ferragudo) os grupos irão desenvolver de modo acompanhado as suas propostas ou projectos. Encontrar resposta ao problema da reabilitação de espaços e edifícios, da sua viabilidade económica e cultural, será o objectivo de cada grupo. O seu desenvolvimento decorrerá em regime intensivo entre a prática de atelier, sessões de esclarecimento e seminários complementares.

A metodologia do exercício decorrerá numa sequência de respostas a vários desafios lançados durante o Workshop, que por sua vez, deverão dar uma direcção e maior sentido àquilo que será a proposta de cada grupo de trabalho.

Os objectivos do trabalho dos estudantes, em colaboração com tutores é EXAMINAR o impacto do turismo, AVALIAR e PROPOR processos de reabilitação urbana, DEFINIR campos de oportunidade para o sector público e privado, IDENTIFICAR metodologias de intervenção no nível conceptual e prático e ENTENDER a viabilidade económica, legal, e ambiental das propostas.

O workshop terá lugar durante cinco dias, de Quinta-feira 28 de Março, para Segunda-Feira 02 de Abril, nas instalações do ISMAT, Portimão e da Escola EB1 de Ferragudo. Os trabalhos vão ser desenvolvidos em torno dos quatro locais propostos – Lagos, Alvor, Praia da Rocha e Ferragudo. Cada um destes locais será trabalhado por 2/3 grupos de alunos. Cada grupo de alunos será composto por 5/7 alunos e terá dois tutores responsáveis pelo desenvolvimento e coordenação das actividades de trabalhos.

No fim de cada sessão de trabalho (dias 29, 30 e 31) serão feitas apresentações do estado de desenvolvimento dos trabalhos. Cada apresentação será comentada por quadro de convidados – académicos, profissionais ou técnicos locais – diferente todos os dias.

A apresentação final dos trabalhos será feita no Tempo – Teatro Municipal de Portimão (a confirmar) numa sessão amplamente divulgada e aberta a toda a comunidade.

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